Recorte municipal

Obras residenciais em Tijucas (SC) sobem 38% no 1º semestre de 2026, revertendo 4 anos de queda

08 de setembro de 2026Fonte: CNO / Receita Federal, via CaptaObras

Tijucas registrou 131 obras novas no Cadastro Nacional de Obras (CNO) no primeiro semestre de 2026, contra 95 no mesmo período de 2025: uma alta de 38%.

O movimento chama atenção porque rompe uma sequência de queda que já durava cinco primeiros semestres: o pico foi em 2021 (200 obras no 1º semestre), e cada ano seguinte registrou menos obras que o anterior, até o vale de 95 em 2025. O semestre de 2026 é o primeiro a inverter essa trajetória, puxado quase inteiramente pelo residencial multifamiliar, que segue o mesmo padrão: pico em 2021 (147 obras no semestre), queda até 60 em 2025, e agora 83.

Obras iniciadas no 1º semestre, ano a ano (2016-2026)

Contagem pela data de início declarada no CNO, sempre o mesmo recorte de seis meses (janeiro a junho) em cada ano, para não comparar semestre com ano fechado.

1º semestreObras novas registradas
201618
201731
201853
2019113
2020106
2021200
2022179
2023133
2024124
202595
2026131
De 18 obras no 1S2016 a um pico de 200 no 1S2021, o volume subiu ano a ano; daí em diante caiu em cada um dos quatro semestres seguintes, até 95 no 1S2025. O 1S2026 é o primeiro a reverter a queda.

Por tipo de obra: quem puxou a alta

Distribuição das obras iniciadas em cada semestre pela destinação declarada no CNO.

Destinação declarada1º sem. 20251º sem. 2026
Residencial multifamiliar6083
Residencial unifamiliar1115
Comercial (salas e lojas)810
Galpão industrial1310
Conjunto habitacional popular04
Sem destinação informada39
O percentual (+38%) só é destacado no total do município, que tem base 2025 acima de 20 obras. Nas categorias menores, a leitura confiável é o número absoluto: residencial multifamiliar concentra praticamente todo o crescimento (+23 obras), enquanto galpão industrial seguiu em queda (−3).

Prédios maiores, não só mais numerosos

A área total declarada nas obras residenciais multifamiliares saltou de 39.062 m² no 1S2025 para 92.441 m² no 1S2026: alta de 137%, bem acima do crescimento em número de obras. Duas obras isoladas ajudam a explicar o salto na soma (uma da AMC Construções, com 24.558 m², e outra da River Marine Zig SPE, com 21.520 m², ambas no eixo Areias/XV de Novembro), mas o crescimento não é só efeito de outlier: a faixa intermediária de 500 a 2.000 m² dobrou de tamanho, e a mediana de área por obra subiu 18% (de 228 m² para 269 m²).

Faixa de área por obra1º sem. 20251º sem. 2026
até 500 m²4253
500 a 2.000 m²1426
2.000 a 5.000 m²22
acima de 5.000 m²22
Residencial multifamiliar, por faixa de área total declarada. O crescimento se concentra na faixa intermediária (500 a 2.000 m²), não só nos dois projetos grandes do topo.

Onde a expansão está concentrada

Das 83 obras residenciais multifamiliares iniciadas no 1S2026, a grande maioria está em dois bairros.

BairroObras (1S2026)Área declarada (m²)
Areias5152.245
Joaia206.770
XV de Novembro423.776
Outros bairros89.650
Areias e Joaia somam 71 das 83 obras multifamiliares do semestre (85%). XV de Novembro tem poucas obras, mas concentra área por ter uma das duas obras grandes citadas acima.

As construtoras com mais obras multifamiliares abertas no semestre foram Santos & Santos Incorporadora (9 obras), Ultra Incorporadora (5), La Vie Incorporadora e Construtora (4) e Urbaniza Construtora e Incorporadora (4) — os nomes constam no CNO, cadastro público da Receita Federal.

Responsável (CNO)Obras (1S2026)Área declarada (m²)
Santos & Santos Incorporadora91.515
Ultra Incorporadora5931
La Vie Incorporadora e Construtora46.921
Urbaniza Construtora e Incorporadora41.348
Novo Estilo36.159
As cinco construtoras/incorporadoras com mais obras multifamiliares iniciadas no 1S2026, pelo nome empresarial declarado no CNO.

O contraponto: indústria não acompanha

Enquanto o residencial reverte a queda, o galpão industrial não dá sinal de virada: depois de um pico de 26 obras no 1S2023, caiu para 13 no 1S2025 e segue no mesmo nível baixo no 1S2026 (10 obras). A base é pequena o suficiente (abaixo de 20 no ano de comparação) para não valer percentual, mas a direção é clara: o boom em Tijucas neste semestre é residencial, não industrial.

Comparação de referência: 1S2024 contra 1S2025

Dois semestres já maduros no CNO, sem a defasagem de registro que ainda afeta 2026. Serve para mostrar que a queda revertida em 2026 era real, não um artefato de base incompleta.

1º sem. 20241º sem. 2025Variação
Total do município12495−23%
Residencial multifamiliar7760−22%
Com os dois semestres maduros, a queda de 2025 frente a 2024 é confirmada (−23% no total, −22% no multifamiliar): não é um efeito do registro ainda incompleto, é o mesmo recuo que já vinha desde 2021 e que só se reverte no 1S2026.

Como ler estes dados

  • A contagem é de obras novas por data de início no CNO, e não de alvarás emitidos pela prefeitura nem de obras concluídas.
  • O CNO aceita registro retroativo: uma obra iniciada em 2026 ainda pode ser cadastrada nos meses seguintes. Por isso o número de 2026 tende a subir com o tempo, e o +38% deve ser lido como piso, não como teto.
  • Todas as comparações são 1º semestre contra 1º semestre (janeiro a junho), nunca semestre contra ano fechado, para não distorcer a variação pela sazonalidade ou pelo tamanho do período.
  • O percentual de variação só é destacado onde a base do período anterior tem 20 obras ou mais. Abaixo disso, a leitura é o número absoluto.
  • Dados extraídos do CNO em 8 de setembro de 2026. O CaptaObras atualiza a base diariamente.

Como citar

Levantamento a partir do Cadastro Nacional de Obras (CNO), da Receita Federal, compilado pela CaptaObras. Uso livre com atribuição a CaptaObras e link para captaobras.com.br.

Recortes adicionais (série mensal, outros bairros, municípios vizinhos) sob pedido: contato@captaobras.com.br.